quarta-feira, 9 de abril de 2008

Ave ESE Cheia de Graça!


Se tivesse um profile no Hi5 seria:

Nome: Gilberto Reis
Estado Civil: Solteiro
Profissão: Ministro de Deus
Ocupação: Celebrações várias (actualmente visitas às escolas do IPS)
Circulo de amigos: Deus, Cristo, nossa senhora, grupo de fiéis da comunidade cristã, Cáritas Diocesana...

Hoje, dia 9 de Abril, numa institutição de ensino que se pretende superior e laica, Sua Excelência o Bispo de Setúbal visita a ESE com um de três (pelo menos na nossa opinião) objectivos:

Objectivo número um: A igreja católica está interessada em recrutar para os seus quadros 120 professoras primárias, 200 educadoras de infância, 200 licenciados em comunicação social (crê-se que o departamento de comunicação da igreja católica portuguesa só terá espaço suficiente pa trabalhar no estádio da luz ou na nova igreja em Fátima), 150 alunos de património (que realizariam obras de arte exclusivamente para a igreja) etc... e sendo assim, o Bispo vai dar uma olhadela aos futuros colaboradores;
Objectivo número dois: O exmº Presidente do CD quer comprar um lugar no céu e está em negociações, tornando esta visita numa negociação informal, ao estilo do "quanto custaria...?";
Objectivo número três: Para a nossa escola só um milagre! Com toda a desorganização provocada por Bolonha, com o descontentamento de alguns professores e com alunos ainda não matriculados, a imagem não é nada animadora! No meio desta confusão, só alguma clarividência pode orientar um caminho para a salvação eterna da nossa instituição e o desenvolvimento (católico como convém) da nossa comunidade.


Então, no dia de hoje, se nos dirigirmos à nossa escola, além do circo do costume podemos encontrar:

-Hora da esperança - Durante uma hora o Bispo orienta os alunos numa missa pelo Ensino Superior, inspirada na esperança de dias melhores;
-Aula Aberta - Bispo apoia Luis Souta e Luciano Pereira numa aula intitulada "Perigos mundanos: Comunistas, Terroristas, Bloggers e Freiras";
-Momento Musical - "Quarteto do Concelho!" - D. Gilberto Reis acompanha no ógão de igreja o já famoso conjunto alternativo que habitualmente ensaia numa sala lá do primeiro andar, e que tem por norma não discutir os seus delirios criativos!

E agora já sabem, hoje, não faltem! O Bispo de Setúbal vai andar pla ESE, não percam a oportunidade de procurar algumas respostas que tardam em ser reveladas pelos nossos dirigentes académicos, quem sabe se uma autoridade divina não as saberá dar.

Até podem não concordar com a cerimónia do beija mão, que ainda vos calha a mão de alguém que não querem beijar, mas aproveitem o acontecimento.E o facto de provavelmente andarem por cá meios de Comunicação Social, pode dar-nos carissimos colegas, a liberdade de dizer aquilo que amanhã vai parecer não existir!

A picar é que a gente se entende!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Piada de Gago

Relatório da OCDE sobre ensino superior

Ministro da Ciência diz que licenciados não sofrem desemprego

03.04.2008 - 11h16 Lusa, PÚBLICO

O ministro da Ciência e Ensino Superior está convencido de que quase não há licenciados desempregados em Portugal, mas não especificou se o trabalho que encontram em qualificado ou se tem relação com a área em que tiveram formação superior.

Comentando na Rádio Renascença um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) sobre o ensino superior, o ministro, Mariano Gago, disse que “quase não há desemprego entre licenciados”.

Segundo Mariano Gago, quase todos os profissionais com formação superior entram no mercado de trabalho durante o ano seguinte ao termo da sua licenciatura.

“O número de profissionais que sai dos cursos superiores todos os anos para o mercado de trabalho não chega e são todos absorvidos pelo mercado”, disse o ministro à Renascença.

O ministro reconhece no entanto que o emprego encontrado fica muitas vezes aquém das expectativas: “É verdade que muitas vezes, e muitos jovens sentem isso, o primeiro emprego não é aquele que gostariam de ter”, ressalvou, frisando logo de seguida que, “ao fim de um ano de saídas do ensino superior”, não existe “ninguém desempregado”.

Mariano Gago diz também que existem cursos iguais em várias instituições de ensino e que os que revelam menos saída acabam por fechar ou ser reestruturados.

O relatório da OCDE, intitulado “O Ensino Superior na Sociedade do Conhecimento”, envolveu 24 países. No documento considera-se que, além de haver poucos licenciados para as necessidades do mercado português, as instituições de ensino superior são muito dependentes do dinheiro do Estado, pelo que sugere um aumento do valor das propinas.

in Público on-line, 3 de Abril de 2008


Para quem não acredita no que leu, pode sempre ouvir clicando AQUI.

Diz que é para nos rirmos! Não deixa de ser preocupante que um ministro não tenha noção da realidade, o que só nos faz pensar que os tempos se aproximam serão ainda piores, pois se tudo está bem, segundo a leitura do ministro, pouco há a mudar ou a fazer relativamente a um problema que afecta milhares de recém-licenciados. Enquanto deixamos que ministros digam disparates destes, nós continuamos calados...Até quando?

segunda-feira, 31 de março de 2008

Semana Académica


Clã, Rui Veloso, Orishas, Patrice, Tara Perdida, Souls of Fire, Quinta do Bill...são alguns dos nomes entre muitos em cima da mesa para a Semana Académica de Setúbal de 2008, que decorre no final de Maio . Concerteza que podemos acrescentar a estes nomes o do Quim Barreiros, presença quase obrigatória pela Estefanilha nos ultimos anos. Numa primeira análise, uma vez mais nota-se que falta um pouco de ousadia aos organizadores, para trazer artistas “menos comerciais”. Os tempos não são para aventuras, nós sabemos, há que salvaguardar o investimento e dele retirar alguns dividendos, mas se integramos uma instituição educativa, devemos ter por objectivo educar e divulgar a diversidade, que no campo da música é imensa. É dificil agradar a gregos e troianos, mas não custa nada inovar e não estar sempre ao sabor das bandas que lançam cd’s nesse ano. E já agora, em vez de 2 bandas por noite, porque não 3? O preço dos bilhetes é igual ao de outras semanas académicas que apresentam 3 ou mais bandas por noite...nem que tenham que recorrer à prata da casa, bandas e diversos projectos musicais é o que não falta por Setúbal. Falta pouco pessoal!

quinta-feira, 27 de março de 2008

(In) Competências

Vieram as férias e com elas a malta ganhou tempo para colaborar com o blog, enviando os seus testemunhos/comentários acerca da vida Eseana. Recebemos alguns mails neste período (vamos procurar publicar todos), facto que agradecemos, já que é objectivo da gerência contar com a participação de toda a comunidade. Já sabem, caso tenham algum assunto que julguem pertinente e que entendam que deve ser abordado e discutido, não se acanhem e enviem os vossos mails para a morada do costume. Deixamos aqui a abordagem de mais um picador relativamente à muito falada/discutida/contestada Carteira de Competências, uma dessas imposições bolonhesas.


Com a aprovação do Processo de Bolonha na ESE foi criada uma UC comum a todos os cursos denominada Carteira de Competências. Esta UC visa actividade extracurriculares, culturais e cívicas, nas áreas profissionais dos diversos cursos. O primeiro problema com que os alunos se deparam é a falta de tempo livre para a concretização das tais actividades extraESE devido à criação de horários que fazem com que os alunos tenham que permanecer na escola todo o dia se quiserem assistir às aulas e acabar as UC’s por avaliação continua.
A UC de Carteira de Competências (não) funciona actualmente com um programa provisório efectuado por um Professor empenhado em dar respostas aos seus alunos, que decidiu resumir alguns pontos essenciais das reuniões de tutores. Os próprios tutores encontram-se, nesta fase de transição, sem capacidade de resposta às questões expostas pelos alunos que têm de realizar obrigatoriamente pelo menos um crédito nesta UC para transitarem de ano.
A questão essencial é que os alunos (e cremos que a maior parte dos tutores) não sabem quais as actividades que podem ou não ser contabilizadas nesta UC.
Gostaríamos ainda de focar que achamos excessivo o número de horas de trabalho (27horas) exigido para conquistar um crédito. Assim e segundo a tabela entregue a alguns alunos, correspondem os seguintes créditos às seguintes actividades:

2 C à dinamização
1,5 à organização
1 à participação
0,5 à observação

Supondo que os alunos se dirigem a uma conferência de 8 horas, está só será contabilizada (se a acharem válida), somada com outras duas actividades de observação e/ou participação com a mesma duração.
Recomeçando as aulas no inicio de Abril e devendo o crédito desta UC estar cumprido no final de Junho, resta aos alunos esperar que as respostas cheguem durante este curto período de 3 meses.
Aguardamos saber quantos alunos sairão prejudicados com a obrigatoriedade do cumprimento deste crédito até ao final do ano lectivo, quando quem tem o poder e a obrigação de responder às nossas questões não parece estar ciente da sua responsabilidade.

terça-feira, 18 de março de 2008

Liberdade e Democracia

"Confrontados com os crescentes ataques à liberdade e à democracia no nosso país, em Julho deste ano, um conjunto de 50 democratas das mais diversas origens tomou posição pública na defesa dos valores de Abril.

De então para cá, o país assistiu à intensificação do progressivo empobrecimento do regime democrático, de que é exemplo a inqualificável atitude da ida da PSP a uma delegação de um sindicato de professores na Covilhã nas vésperas da presença do Primeiro-Ministro naquela cidade, ou mesmo, os mais recentes acordos que visam profundas alterações às Leis Eleitorais.

A defesa da liberdade e da democracia é uma tarefa de sempre e de todos os democratas.
A situação do país e o seu desenvolvimento justificam uma enérgica tomada de posição dirigida ao povo português e aos órgãos de soberania, por parte de um vasto conjunto de cidadãos profundamente comprometidos com o projecto e os valores de Abril, que a seguir apresentamos.

Pela democracia, pela liberdade – por Abril


Abaixo-assinado


Com o 25 de Abril, um momento maior da história e da luta do Povo português, conquistámos a liberdade e abrimos as portas para profundas transformações na vida nacional. Ao derrubamento do regime fascista, sucedeu-se o lançamento das bases fundamentais de uma democracia integrando, complementarmente, as vertentes política, económica, social e cultural – uma democracia amplamente participada e conjugada com uma inequívoca afirmação de defesa da independência e soberania nacionais.

O regime democrático assim moldado foi consagrado na Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de Abril de 1976 – sem dúvida um dos textos constitucionais mais avançados e progressistas da Europa.

Sabemos que, de então para cá, com responsabilidades e cumplicidades de diferentes Governos e Presidentes da República, a Constituição, não só não foi cumprida, como ainda foi desfigurada, por sucessivas revisões, em muitos dos seus aspectos fundamentais. E sabemos que, apesar disso, o cumprimento do actual texto Constitucional, continuando a contemplar um inequívoco projecto democrático, constituiu a mais sólida garantia para defender a liberdade e o regime democrático, para projectar a defesa dos interesses dos trabalhadores, do Povo e do país.

Neste novo século, 33 anos depois do Dia da Liberdade, é tempo de reflectirmos sobre o caminho percorrido desde então e sobre a situação hoje existente.

Se em muitos planos vivemos hoje profundas inquietações na evolução do país, é na democracia social e económica, nas condições objectivas de vida dos trabalhadores e das populações, no desemprego, nos baixos salários, no trabalho precário, nas reformas e pensões de miséria, nas desigualdades sociais, na destruição de serviços públicos e do carácter universal do direito à saúde, ao ensino e à segurança social, que mais se faz sentir a degradação do regime democrático e que o colocam em perigo.

Situações essas que caminham a par e passo, com crescentes limitações aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, em particular dos trabalhadores e activistas sindicais no exercício dos seus direitos constitucionais, entre os quais, o direito à greve.

Direitos, liberdades e garantias dos cidadãos cujo exercício pleno se encontra cada vez mais vigiado e condicionado, quer nas muitas formas de organização e intervenção política e social, quer no acesso à informação, à cultura e à liberdade de expressão.

Regressões também no sistema político com a subversão do princípio constitucional da subordinação do poder económico ao poder político e onde, a pretexto de uma chamada “reforma”, foram aprovadas leis profundamente antidemocráticas – como é o caso da “Lei dos Partidos” e da “Lei do Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais” - e está em curso um processo de criação de leis eleitorais que distorcem o princípio da proporcionalidade.

Paralelamente, assiste-se a uma poderosa operação de branqueamento da história e da natureza do regime fascista, de ocultação dos seus crimes, de perigosa tolerância por parte das autoridades ao surgimento e intervenção pública de organizações de claro carácter fascista, violando a Constituição da República.

A situação actual e o futuro de Portugal impõem que os democratas, as mulheres, homens, e jovens, os trabalhadores, os intelectuais, façam ouvir as suas vozes e unam as suas forças em defesa do regime democrático.

É tempo de convocar os órgãos de soberania à assunção das suas responsabilidades no fazer cumprir a Constituição da República.
É tempo de renovar o apelo à intervenção cívica dos portugueses em defesa da liberdade e da democracia.
É tempo de redobrar o alerta e a acção para que cessem os ataques ao conteúdo democrático do regime saído da Revolução de Abril.
Para que Abril, os seus valores e os seus ideais, se afirmem como património vivo no Portugal do nosso tempo.
Para que a expressão “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” ganhe garantia de futuro."

in site Liberdade e Democracia

Podemos constatar que entre os 50 primeiros subscritores deste abaixo assinado, se encontra o Arquitecto Siza Vieira, que projectou a nossa escola. E se ele até deve conhecer os cantos ao edifício, deve desconhecer o que por lá se vai passando no que toca a atacar a liberdade e a democracia da nossa instituição.