quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Março, Mês da Juventude

Março é mês da Juventude e vários municípios celebram-no organizando diversas iniciativas. Destacamos aqui os eventos promovidos nos concelhos de Setúbal, Seixal e Almada.

Março 28 Mês da Juventude em Setúbal

Março Jovem 2008 Seixal

Quinzena da Juventude de Almada 2008


Ps: Pedro Abrunhosa e André Sardet serão os cabeças de cartaz nas celebrações do mês da juventude em Setúbal. Não questionando o interesse dos jovens por estes dois artistas (há gostos para tudo), questionamos com que interesse a organização cobra bilhetes ao preço de 15 e 20 euros para os espectáculos, números nada atractivos para os jovens, mas que concerteza ajudarão nas obras de reabilitação do Fórum Luisa Todi. Nada contra essa intenção, mas fica um pouco mal “embrulhar” esses espectáculos no pacote de iniciativas direccionadas à juventude, que todos os dias anda a contar tostões. Fica o exemplo do que é feito no Seixal e em Almada, que pouco ou nada cobram nas diversas iniciativas que irão realizar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Fevereiro louco

Fevereiro tem-se revelado um mês atarefado e conturbado para todos nós. As habituais férias de semestre são parte do passado, e os trabalhos,exames e apresentações fazem parte de uma nova realidade, à qual muitos de nós ainda nos tentamos habituar. Fica no entanto a dúvida relativamente aos alunos que actualmente estão a apresentar trabalhos. No caso de reprovarem nas disciplinas relativas a essas apresentações, têm apenas hipótese de fazer exame em Setembro.Será que passados alguns meses após a frequência dessa disciplina, depois de terem estudado para mais não sei quantas disciplinas e depois das férias, os alunos estarão em melhores condições para fazer o exame, que podia ser feito na época apropriada? Hmmmm...cada qual terá uma resposta consoante o seu interesse, mas não nos parece que retirar aos alunos, a hipótese de fazer um exame, seja a medida mais apropriada e do interesse destes.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Setúbal debaixo de água

Com os nossos próprios olhos ou pela televisão, tivemos oportunidade de presenciar um cenário pouco habitual na baixa de Setúbal, questionando-nos se estaríamos em realmente em Setúbal ou em Veneza. Deixamos aqui algumas imagens registadas por pessoas que das mais diversas formas se deslocaram ao centro da cidade.







Caso tenham as vossas próprias imagens não hesitem em enviá-las. Resta saber como sobreviveu a nossa escola a esta intempérie. Ao que parece não existem danos a registar, o que vem provar, que afinal o edifício mantém-se firme e de "boa saúde".

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

As crises do Ensino que se diz Superior

"Dados do Sindicato Nacional do Ensino Superior

Mais de 300 docentes universitários desempregados a cada ano

Professores recorrem a doutoramentos e investigação ou acabam por ser «reciclados»

São cerca de duas a três centenas os professores universitários que, anualmente, ficam desempregados, disse o presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), Paulo Peixoto, à Agência Financeira.

Os dados não incluem o ensino privado e resultam das inscrições para as bolsas da Fundação Ciência e Tecnologia, destinadas a requalificar os docentes universitários desempregados. Ou seja, a estimativa poderá pecar por defeito, não contabilizando os professores desempregados que não concorram a estas bolsas.

«Muitos dos professores recorrem a estas bolsas para tentarem conseguir um doutoramento, porque vêem aqui uma oportunidade de reingressar no ensino superior, já que muitas instituições procuram docentes doutorados. Mas também existem professores doutorados que perderam o emprego. Por isso, muitas destas bolsas servem para os professores se requalificarem, por exemplo, de forma mais orientada para a investigação, que desenvolvem em unidades de investigação ligadas às próprias universidades», explica Paulo Peixoto.

Mais de 30 cursos em risco de fusão ou extinção

O problema do desemprego de professores universitários prende-se, em parte com a reestruturação de cursos e até extinção de alguns, mas também com a precariedade dos vínculos de trabalho, sobretudo no ensino superior politécnico.

É que, de acordo com dados do sindicato, dos 25 mil docentes do ensino superior público, cerca de 9.500, ou seja, perto de 40%, têm estatuto de convidados, ou seja, estão numa situação precária.

Uma situação que se agudiza quando são mais de 30 os cursos superiores que podem ter de ser reorganizados, fundidos ou mesmo extintos, segundo revelou o ministro do Ensino Superior, Mariano Gago. Em entrevista à rádio «TSF», o governante reconhece que a situação, verificada já em 2007, deverá repetir-se este ano.

Tudo porque decorre da Lei que os cursos com menos de 20 alunos, a não ser em determinadas excepções, deixem de ser financiados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. E o pior, diz o sindicato, é que isto não coloca em risco apenas os professores, mas também as próprias instituições de ensino.

«Claro que o encerramento de cursos contribui para o desemprego de docentes, mas a verdade é que também têm sido criados cursos novos nos últimos anos e o ritmo da extinção não é superior ao do aparecimento de novos cursos. Para além disso, este ano registou-se, pela primeira vez em alguns anos, um aumento do número de alunos que ingressaram no ensino superior, enquanto que o número de docentes não tem subido, por isso, não há uma relação líquida entre os encerramentos de cursos e o desemprego dos docentes», refere o presidente da estrutura sindical.

Professores são recicláveis

Estas duas realidades não têm correspondência linear, até porque os professores são profissionais «recicláveis», explica Paulo Peixoto.

«As universidades podem proceder à racionalização dos recursos docentes. Por exemplo, se um curso de matemática encerrar, os professores de Matemática podem ser utilizados noutros cursos, por exemplo de Engenharia ou Gestão, que também precisam desta matéria», esclarece.

Universidades estudam consórcios

Paulo Peixoto sublinha que o mais grave é que muitas universidades estão a ser postas em situação de risco. «O que distingue uma universidade de uma escola normal é uma certa densidade e diversidade de saberes, de ensinos. Se uma parte dos cursos é extinta, e ficam só dois ou três, é a própria essência da instituição que é posta em causa».

Por isso mesmo, algumas universidades começam a falar em formar consórcios. É o caso das universidades de Évora e do Algarve, que poderiam formar o que já se chama de «Academia do Sul»."

in Agência Financeira, 12-02-2008

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Ponto de Vista

Já nos chamaram terroristas, extremistas, comunistas e até radicais, depois deste post poderemos concerteza acrescentar socialistas ao extenso rol (que inclui também alguns insultos) de catalogações a que somos sujeitos. Como espaço livre, que nos definimos, damos voz e palavra a todos, independentemente da sua filiação partidária. Em entrevista a um jornal diário, publicada ontem, Manuel Alegre (escritor, ex-candidato à presidência da República e deputado do PS) não hesita em apontar o que está mal dentro do seu partido e no país, analisando alguns dos problemas com que nos debatemos actualmente, entre eles a educação. Deixamos aqui um excerto, relativo ao panorama da Educação, de uma entrevista que nos parece coerente e realista, que vai de encontro às muitas preocupações que nós, estudantes e comuns cidadãos, temos de enfrentar.

"O que acha da politica de educação?
Estive numa reunião, em Gaia, onde estavam muitos professores e fiquei muito impressidonado com a maneira como os professores se sentem humilhados, despossados da sua dignidade. Não se faz uma reforma nas escolhas contra os professoares e sem os professores ou humilhando os professores ou deixando os professores de fora da gestão ou fora das soluções, ou regressando ao papel de director, que ainda por cima pode ser alguém de fora da escola. Para já não falar do Ensino Superior. Fizeram coisas que põem em causa aquilo porque nos batemos nos anos 60, a autonomia, a gestão democrática.

Como vê a possibilidade, derivada de Bolonha, de cursos de menos de 20 alunos fecharem? Até que ponto isso pode prejudicar a investigação e o saber em Portugal?
Há casos e casos. Mas não se pode submeter o ensino à lei do mercado, a critérios puramente mercantilistas. E há algo em Bolonha que tem essa lógica. A lógica de submeter o ensino e as escolhas que são feitas à rentabilidade e à lógica do mercado. Pode haver um curso de 20 alunos de Física Quântica, por exemplo, que seja necessário. O Grego pode não ter 20 alunos, mas é importante. É preciso saber as raízes da língua. Vi a noticia de que se ia fechar a Faculdade de Letras. Isso é terrível. As Humanidades são fundamentais. Seria um crime. Primeiro que tudo, a língua. É preciso uma cultura clássica. Mesmo para a Ciência. Essa visão unilateral do ensino só voltado para a Matemática, para o Inglês, para o mercado e para a empresa, é uma visão muito redutora do ensino."


in Público, 08-02-2008